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RECOMENDAÇÕES PARA AVALIAÇÃO DO MEMBRO
SUPERIOR, editado pela SBTM
O manual, apresenta instrumentos para avaliação adequada
de forma a auxiliar a composição do tratamento reabilitador.
" É fundamental, então que o terapeuta esteja
familiarizado com os principais métodos de avaliação,
suas indicações, sua realização e o
manuseio dos equipamentos adequados a
este mister" (Araújo, PMP)
A idéia de escrever o manual, foi da então presidente
da SBTM Pola Maria Poli de Araújo, devido a necessidade de
padronizar e divulgar procedimentos validados e confiáveis
para nossas avaliações clínicas ou de pesquisas
científicas.
RECOMENDAÇÕES PARA AVALIAÇÃO DO MEMBRO
SUPERIOR
Compõe-se de 13 capítulos e 03 apêndices, que
são:
Capítulos:
1. Introdução à avaliação do
membro superior - Pola Maria Poli de Araujo
2. Edema - Iracema Serrat Vergotti Ferrigno
3. Ferida e cicatriz - Tânia Maria Gomes Scaravelli
4. Avaliação vascular
- Iara Becker Ribeiro
5. Dor - Patrícia Neto Barroso
6. Forças de preensão palmar e da pinça digital
- Leila Maria Abdalla e Maria Cecília Ferreira Brandão
7. Medida da amplitude articular - Leda Magalhães de Oliveira
e Pola Maria Poli de Araújo
8. Sensibilidade - Pola Maria Poli de Araújo, Maria Cecília
Ferreira Brandão, Leda Magalhães de Oliveira
9. Testes musculares -Paula Pardini de Freitas e Tânia Sousa
Assumpção
10. Teste de avaliação do ombro -Yeda Lucia Capovilla
Bellia
11. Destreza - Valéria Carril Meirelles Elui e Marisa de
Cássia Registro Fonseca
12. Qualidade de vida e instrumentos
de avaliação -: Sandra Mara Meirelles
13. Avaliação informatizada da mão - Ana Cristina
Valadão Cavalcanti, Marcelo Rabelo
Noronha,Maria Clarice Coutinho, Maria José Chacon Wanderley
e Silvana Mariade Macedo Uchôa
Apêndice:
1. Protocolo de avaliação dos
resultados de reimplantes do membro superior - Beatriz Gonçalves
Matiuzo Monari
2. Protocolo de avaliação dos tendões flexores
- Pola Maria Poli de Araújo
3. Síndromes complexas de dor regional - distrofia simpático
reflexa - Miriam Cabrera Corvelo Delboni
Livro:
MANUAL DE MEDIDA ARTICULAR, de Leda Magalhães
de Oliveira e Pola Maria Poli de Araújo
O livro, apresenta a Goniometria de modo prático e didático
descrevendo a anatomia das articulações de forma clara
e objetiva.
MANUAL DE MEDIDA ARTICULAR
compõe-se de 8 capítulos, que são:
1. Sistema músculo-esquelético
2. Planos do corpo
3. Medida da Amplitude articular
4. Membros superiores
5. Membros inferiores
6. Articulações da cabeça e coluna vertebral
7. Escala EPM-Rom
8. Referências bibliográficas
REABILITAÇÃO DA MÃO, de Paula
Pardini Freitas
O livro, apresenta o tratamento das lesões no membro superior
que exige do terapeuta conhecimento especializado, habilidade e
criatividade. Escreve a autora que " A idéia de escrever
um livro sobre Reabilitação da Mão surgiu da
dificuldade de se encontrar fontes científicas sobre o assunto
na língua portuguesa. Após 15 anos de existência
da Sociedade Brasileira de Terapeutas da Mão, a especialidade
se consolidou em nosso meio e o Terapeuta da Mão é
hoje profissional indispensável no tratamento das afecções
do membro superior, trabalhando lado a lado com o Cirurgião
da Mão. A experiência baseada na prática diária
e em cursos didáticos e congressos científicos nos
estimulou a transmitir nosso conhecimento aos novos terapeutas ocupacionais
e fisioterapeutas que almejam algum dia tornarem-se também
especialistas na arte de reabilitar o membro superior ".
REABILITAÇÃO DA MÃO
compõe-se de 35 capítulos, que são:
1. Anatomia Funcional - Arlindo Gomes Pardini Jr.
2. Semiologia - Afrânio Donato de Freitas
3. Avaliação Funcional - Pola Maria Poli de Araújo
4. Modalidades Terapêuticas em Reabilitação
da Mão - Silvana Maria de Macedo Uchôa e Paula Pardini
Freitas
5. Tratamento de Edema Traumático na Mão - Patrícia
Guimarães Couto de Melo Afonso e Ieda Maria Figueredo
6. Tratamento do Linfedema no Membro Superior - Ana Silva Siniz
Makluf
7. Fraturas e Luxações dos Metacarpos e das Falanges
- Leila Maria Abdalla, Paula Pardini Freitas e Ana Cristina Valadão
Cavalcanti Ferreira
8. Fraturas dos Ossos do Carpo e Mobilização Articular
do Punho - Júnia Amorim Andrade e Afrânio Donato de
Freitas
9. Instabilidades do Carpo - Afrânio Donato de Freitas e Juliana
A. Martins Sales
10. Fraturas da Extremidade Distal do Rádio - Paula Pardini
Freitas
11. Lesões dos Tendões Flexores - Paula Pardini Freitas
12. Reconstrução Tendinosa e Lesões Tardias
dos Tendões Flexores - Paula Pardini Freitas
13. Tenólise dos Tendões Flexores - Paula Pardini
Freitas
14. Lesões dos Tendões Extensores - Paula Pardini
Freitas
15. Lesões dos Nervos Periféricos - Iracema Serrat
Vergotti Ferrigno, Paula Pardini Freitas e Afrânio Donato
de Freitas
16. Traumatismo do Plexo Braquial - Leonilda Meneguês da Conceição
17. Paralisia Braquial Obstétrica - Mônica Bicalho
Alves de Souza e Tatiana Teixeira Barral
18. Síndromes Compressivas no Membro Superior - Valéria
Meirelles Carril Elui, Marisa de Cássia Registro Fonseca,
Patrícia Yumi Cantalejo Nagima Mazzer, Nilton Mazer e Cláudio
Henrique Barbieri
19. A Mão na Hanseníase - Linda Faye Lehman, Maria
Beatriz Penna Orsini, Maria Aparecida de Faria Grossi, Manoel de
Figueiredo Villarroel
20. Transferências Tendinosas no Punho e na Mão - Arlindo
Gomes Pardini Jr. e Paula Pardini Freitas
21. Tenossinovites no Punho e na Mão - Paula Pardini Freitas
22. Tendinites no Cotovelo - Paula Pardini Freitas
23. Contratura de Dupuytren - Tânia Sousa Assumpção
24. Reabilitação da Mão Reumatóide -
Pola Maria Poli de Araújo
25. Tratamento Cirúrgico da Mão Reumatóide
e Reabilitação Pós-Operatória - Arlindo
Gomes Pardini Jr. e Paula Pardini Freitas
26. Osteoartrose na Mão - Alessandra Cavalcanti de Albuquerque
e Souza
27. Lesões Complexas na Mão - Beatriz Gonçalves
Matiuzo Monari e Paula Pardini Freitas
28. Reimplantes - Leonilda Meneguês da Conceição
29. Distrofia Simpático-Reflexa - Carla Cadê Santos
Coelho e Cynthia Rossetti Portela Alves
30. Dessensibilização da Mão Traumatizada -
Cynthia Rossetti Portela Alves
31. Mão Rígida - Valéria Martins Capanema
32. Mão Queimada - Ana Paula Villar Silva
33. Contratura Isquêmica de Volkmann - Patrícia Yumi
Cantalejo Nagima Mazzer, Nilton Mazer, Marisa de Cássia Registro
Fonseca, Valéria Meirelles Carril Elui, e Cláudio
Henrique Barbieri
34. Órteses - Princípios Básicos - Tânia
Sousa Assumpção
35. Próteses: Reabilitação do Amputado de Membro
Superior - Vera Helena Canduro de Natale
Resumo de Teses
AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS NA REPARAÇÃO
DAS LESÕES DOS TENDÕES FLEXORES NA MÃO - ANÁLISE
COMPARATIVA ENTRE O MÉTODO GONIOMÉTRICO "TAM"
E O MÉTODO FUNCIONAL "MINNESOTA"
Avaliamos os resultados da reparação dos tendões
flexores na mão e punho em 80 pacientes adultos, num total
de 200 dedos acometidos, nas zonas II, III, IV e V pelo método
goniométrico "TAM" ("Total Active Motion"),
em graus trigonométricos, e pela avaliação
funcional "Minnesota" (testes de colocação
e rotação), em segundos. Foram submetidos à
avaliação funcional "Minnesota" (testes
de colocação e rotação) 100 indivíduos
normais, sem afecção nos membros superiores, para
validar os parâmetros dos testes para a situação
proposta. Foram escolhidos estes dois métodos de avaliação
por apresentarem alto coeficiente de confiabilidade e validade.
O objetivo deste estudo é comparar os dois métodos
sendo os dados obtidos submetidos a testes estatísticos.
Concluímos que a avaliação goniométrica
"TAM" não mede as alterações funcionais
da mão pois os resultados em ambas as avaliações
não mostraram correlação entre si (coeficiente
de correlação linear de Pearson). A discrepância
entre os resultados é maior quando existem lesões
de múltiplos dedos na mesma mão ou lesões nervosas
associadas, evidenciando ser necessário associar um método
de avaliação funcional ao método goniométrico.
A avaliação estatística dos dados obtidos nos
testes de colocação nas mãos dominantes e não
dominantes nos indivíduos normais e nas mãos lesadas
e não lesadas nos pacientes favoreceu a idéia de que,
para este teste, o lado contralateral normal dos pacientes pode
ser utilizado como parâmetro, levando em consideração
que a mão dominante é 7% mais rápida que a
não dominante.
autora: Pola Maria Poli de Araújo -
Dissertação de doutorado - São Paulo/SP
* Versão resumida da Tese de Mestrado, apresentada
à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo,
com defesa em 04/04/2003, pelo primeiro autor do trabalho
Nome para correspondência:
Silmara Nicolau Pedro da Silva
silmaranicolau@terra.com.br
Medida da força de flexão dos dedos da mão
através de órtese dinâmica com dinamômetro
Measure of the flexing force of the fingers by a dynamic splint
with a dynamometer
Autores:
1. Silmara N. Pedro da Silva
2. Rames Mattar Jr.
3. Raul Bolliger Neto:
4. César Augusto Martins Pereira
Instituição: Laboratório de
Biomecânica , Instituto de Ortopedia e Traumatologia, Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo.
1. Terapeuta Ocupacional do Hospital Universitário da Universidade
de São Paulo.
2. Professor Associado do Departamento de Ortopedia e Traumatologia
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
3. Médico Assistente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia
do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo,
Vice-Responsável do Laboratório de Biomecânica
LIM 41 do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das
Clínicas da Universidade de São Paulo.
4. Tecnólogo em Saúde do Laboratório de Biomecânica
do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas
da Universidade de São Paulo.
RESUMO
Através do desconhecimento das forças que atuam em
uma articulação durante o processo de reabilitação
da mão, a autora confeccionou uma órtese dinâmica
acoplada a um dinamômetro com capacidade de medida de forças
variando de 0 a 600gf e, através de cálculos trigonométricos,
mediu a força flexora na articulação interfalângica
proximal do terceiro dedo a 30°, 45°, 60° e 90°
de flexão, em uma população de 40 adultos voluntários,
sendo 20 do sexo feminino e 20 do masculino, e confrontou os dados
da magnitude da força flexora com idade, sexo e medidas antropométricas
como estatura, envergadura e comprimento do dedo. Os resultados
do estudo demonstraram que o tendão flexor é submetido
à máxima força no início da flexão
e que a força no tendão flexor diminui conforme aumenta
o grau de amplitude articular. Observou uma relação
entre o comprimento do dedo e a magnitude da força exercida
no tendão durante a flexão do dedo, sendo que nos
dedos mais compridos os tendões são submetidos a forças
maiores. Quando comparou a estatura e envergadura com a magnitude
da força aplicada no tendão flexor, observou uma relação
positiva em todos os graus de flexão estudados, exceto a
30°. O sexo masculino apresentou maior força em todos
os graus de amplitude articular. Conclui que é possível
medir a força de flexão transmitida pelos tendões
flexores através de uma órtese acoplada a um dinamômetro,
que esta força é maior nos indivíduos do sexo
masculino, com dedos mais longos, de maior altura e envergadura
e que tais dados permitirão o desenvolvimento de futuros
trabalhos no campo da reabilitação da mão,
auxiliando pacientes portadores de lesões de tendões,
retração cicatricial, deformidades e rigidez articular.
Descritores: mão, órtese dinâmica,
dinamômetro, força, dados antropométricos
Para acessar todo este resumo na integra, clique aqui.
PROPRIEDADES MECÂNICAS DE UMA
POLIURETANA ELASTOMÉRICA DERIVADA DO ÓLEO DA MAMONA
PARA USO COMO IMPLANTE DE TENDÕES FLEXORES DA MÃO
- Mechanical properties of traction of a elastomeric poliurethane
derived from castor oil to make flexor tendon implants for hand
surgery
Com vistas ao seu emprego na confecção de implantes
de tendões flexores para a mão, foi realizado um estudo
in vitro das propriedades mecânicas da poliuretana elastomérica
derivada do óleo da mamona. Corpos de prova, de formato e
dimensões adequados ao estudo, estabelecidos pela norma ASTM
638, foram recortados de placas de poliuretana, obtidas pela polimerização
de seus componentes básicos, o poliol Q 160 e o pré-polímero
FN 329, na forma pura e associada a fios de poliéster longitudinalmente
colocados no seu interior, dispostos paralelamente entre si, ou
trançados, em número variando de um a sete, com incrementos
de dois, segundo o grupo experimental. Os corpos de prova foram
submetidos a ensaios de tração em máquina universal
de ensaios, tendo sido analisados os parâmetros força
de 1) resistência à ruptura, 2) tensão máxima,
3) deformação (alongamento), 4) resiliência
e 5) módulo de elasticidade. Para cada grupo foram testados
três corpos de prova e, dos valores obtidos para cada parâmetro
individualmente, foi obtida uma média para execução
da análise estatística. Os resultados mostraram que
a associação da poliuretana com os fios de poliéster
faz diminuir a capacidade de deformação da poliuretana
pura, aumentando sua força de resistência, a tensão
máxima, a resiliência e o módulo de elasticidade,
propriedades cujos valores numéricos aumentam com o incremento
do número e com o trançar dos fios, tendo sido muito
significante com cinco e sete fios. Concluiu-se que, na forma associada,
a poliuretana derivada do óleo da mamona constitui um material
adequado para a confecção de implantes de tendão,
passivos ou ativos.
Palavras-chaves: poliuterana elastomérica,
tendão flexor, mão, polímero da mamona
Autores:
Marisa de Cássia Registro Fonseca -
professora doutora do Departamento de Biomecânica, Medicina
e Reabilitação do Aparelho Locomotor, Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Curso de Fisioterapia- USP.
Nilton Mazzer - professor livre docente do
Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação
do Aparelho Locomotor, Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, USP.
Cláudio Henrique Barbieri - professor
Titular do Departamento de Biomecânica, Medicina e Reabilitação
do Aparelho Locomotor, Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto, USP.
Gilberto Chierice - professor Titular do Instituto
de Química Analítica da Escola de Engenharia de São
Carlos- USP
Instituição: Departamento de
Biomecânica, Medicina e Reabilitação do Aparelho
Locomotor, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade
de São Paulo, campus- Monte Alegre, Av. Bandeirantes, CEP
14049, Ribeirão Preto, SP .
* Versão resumida da dissertação de Mestrado,
apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto,
USP, em 1997, pelo primeiro autor do trabalho
MEDIDA DA FORÇA DE FLEXãO DOS DEDOS DA MãO
ATRAVÉS DE ÓRTESE DINÂMICA COM DINAMÔMETRO
Através do desconhecimento das forças que atuam em
uma articulação durante o processo de reabilitação
da mão, a autora confeccionou uma órtese dinâmica
acoplada a um dinamômetro com capacidade de medida de forças
variando de 0 a 600gf e, através de cálculos trigonométricos,
mediu a força flexora na articulação interfalângica
proximal do terceiro dedo a 30°, 45°, 60° e 90°
de flexão, em uma população de 40 adultos voluntários,
sendo 20 do sexo feminino e 20 do masculino, e confrontou os dados
da magnitude da força flexora com idade, sexo e medidas antropométricas
como estatura, envergadura e comprimento do dedo. Os resultados
do estudo demonstraram que o tendão flexor é submetido
à máxima força no início da flexão
e que a força no tendão flexor diminui conforme aumenta
o grau de amplitude articular. Observou uma relação
entre o comprimento do dedo e a magnitude da força exercida
no tendão durante a flexão do dedo, sendo que nos
dedos mais compridos os tendões são submetidos a forças
maiores. Quando comparou a estatura e envergadura com a magnitude
da força aplicada no tendão flexor, observou uma relação
positiva em todos os graus de flexão estudados, exceto a
30°. O sexo masculino apresentou maior força em todos
os graus de amplitude articular. Conclui que é possível
medir a força de flexão transmitida pelos tendões
flexores através de uma órtese acoplada a um dinamômetro,
que Através do desconhecimento das forças que atuam
em uma articulação durante o processo de reabilitação
da mão, a autora confeccionou uma órtese dinâmica
acoplada a um dinamômetro com capacidade de medida de forças
variando de 0 a 600gf e, através de cálculos trigonométricos,
mediu a força flexora na articulação interfalângica
proximal do terceiro dedo a 30°, 45°, 60° e 90°
de flexão, em uma população de 40 adultos voluntários,
sendo 20 do sexo feminino e 20 do masculino, e confrontou os dados
da magnitude da força flexora com idade, sexo e medidas antropométricas
como estatura, envergadura e comprimento do dedo. Os resultados
do estudo demonstraram que o tendão flexor é submetido
à máxima força no início da flexão
e que a força no tendão flexor diminui conforme aumenta
o grau de amplitude articular. Observou uma relação
entre o comprimento do dedo e a magnitude da força exercida
no tendão durante a flexão do dedo, sendo que nos
dedos mais compridos os tendões são submetidos a forças
maiores. Quando comparou a estatura e envergadura com a magnitude
da força aplicada no tendão flexor, observou uma relação
positiva em todos os graus de flexão estudados, exceto a
30°. O sexo masculino apresentou maior força em todos
os graus de amplitude articular. Conclui que é possível
medir a força de flexão transmitida pelos tendões
flexores através de uma órtese acoplada a um dinamômetro,
que esta força é maior nos indivíduos do sexo
masculino, com dedos mais longos, de maior altura e envergadura
e que tais dados permitirão o desenvolvimento de futuros
trabalhos no campo da reabilitação da mão,
auxiliando pacientes portadores de lesões de tendões,
retração cicatricial, deformidades e rigidez articular.
autora: Silmara Nicolau Pedro
da Silva - Dissertação de Mestrado - São Paulo/SP
COMPARAÇãO ENTRE OS MÉTODOS DE ESTIMATIVA VISUAL
E GONIOMETRIA PARA AVALIAÇãO DAS AMPLITUDES DE MOVIMENTO
DO OMBRO
Objetivos: Comparar a utilização
da técnica de estimativa visual (EV) e a técnica de
goniometria nas medidas das amplitudes de movimentos do ombro (elevação,
extensão, abdução, rotação externa
e interna a 90° de abdução), descrever os fatores
de interferência associados na avaliação da
amplitude de movimento ativo do ombro normal, e indicar o melhor
procedimento para medidas das amplitudes de movimento do ombro.
Métodos: Dois profissionais da área de saúde
com diferentes experiências na avaliação das
amplitudes de movimentos avaliaram cento e dois indivíduos
normais de ambos os sexos de vinte a cinqüenta anos de idade,
utilizando os métodos de avaliação das amplitudes
de movimentos da American Academy Orthopaedic Surgeons pela estimativa
visual, e o método de Norkin, White. Foram coletadas informações
a respeito da atividade física e índice de massa corporal
que juntamente com os dados de sexo, idade e lado avaliado foram
analisados como fatores que poderiam interferir nas amplitudes de
movimentos do ombro. Os movimentos de elevação e extensão
do ombro foram avaliados e comparados com a utilização
do goniômetro na posição em pé e deitada.
Resultados: Comparações entre os métodos apresentaram
diferenças significativas em todos os movimentos. Os fatores
sexo, atividade física interferiram nos movimentos do ombro.
Não houve diferenças significativas entre os lados
direito e esquerdo exceto nos movimentos de abdução
para os indivíduos masculinos, com atividade e para os indivíduos
sem atividade, os movimentos de elevação na posição
de pé e rotação externa a 90° de abdução.
O sexo feminino não apresentou diferenças entre as
ADM?s do ombro considerando os lados. As amplitudes de movimento
de extensão e elevação apresentaram diferenças
significativas entre as posições em pé e deitada.
Conclusões: São aconselhadas as medidas de amplitude
de movimento do ombro com goniômetro pelo método de
Norkin, White. As tabelas utilizadas como padrões de amplitudes
de movimentos do ombro para comparações de características
individuais devem ser utilizadas com cautela devido a influências
de variáveis tais como sexo, idade, índice de massa
corporal e atividade física. O ombro do lado contralateral
é a melhor referência para amplitudes de movimento
do indivíduo, porém é possível encontrarmos
variações individuais entre os lados. A posição
de teste deve ser a mesma quando utilizada como referência
para comparações.
autora: Júnia Amorim Andrade - Dissertação
de Mestrado - São Paulo/SP
ESTUDO DO ARCO DE MOVIMENTO DOS MEMBROS SUPERIORES EM UMA FÁBRICA
DE VELOCÍMETRO
Em uma metalúrgica da cidade Guarulhos, com 653 funcionários,
foram selecionados 405 trabalhadores que não apresentavam
queixas nos membros superiores.O objetivo foi mensurar a medida
das amplitudes de movimento (ADM) ativa do ombro, cotovelo e punho,
e verificar a influência do sexo e da idade.Nas medidas da
articulação do ombro foi utilizado o método
visual recomendado pela American Shoulder and Elbow Surgeons (ASES),
no cotovelo e punho, foi utilizado o método goniométrico,
de acordo com o recomendado pela American Association of Orthopedic
Surgeons (AAOS). Após o médico ortopedista realizar
o exame físico e preencher o questionário, as mensurações
foram feitas por duas terapeutas ocupacionais, com formação
em terapia da mão, para cada movimento. Os valores médios
obtidos pelas duas terapêuticas foram utilizadas para os testes
estatísticos de Wilcoxon, Mann-Whitney e Qui- quadrado (c2).
Observou-se que as mulheres apresentavam ADM ativa maiores que os
homens, com exceção da flexão do ombro e que
havia diminuição da ADM ativa com o aumento da idade
dos indivíduos examinados.Com a identificação
da ADM ativa para esta população foi então,
estudado os 37 funcionários que estavam afastados por LER/DORT,
sendo a maioria do sexo feminino e com função de montador.
Neste caso todos os funcionários da função
de montador foram estudados, sendo excluídos os homens devido
ao pequeno número, e examinada a amplitude de movimento (ADM)
ativa das articulações dos membros superiores (MMSS)
em 246 montadoras. Os movimentos investigados foram: flexão,
extensão, rotação interna e externa dos ombros;
flexão e extensão dos cotovelos, supinação
e pronação dos antebraços; flexão, extensão,
desvio ulnar e desvio radial dos punhos. As montadoras foram classificadas
em três categorias: sem queixas (SQ), com queixas (CQ) e afastadas
(AF). Ao comparar a ADM dos lados direito (D) e esquerdo (E), comparar
a ADM entre as populações SQ, CQ e AF, que o lado
esquerdo apresenta mobilidade significativamente maior que o direito
para os movimentos de flexão e extensão do ombro,
supinação de antebraço, extensão e desvio
radial do punho, com uma diferença de 2,5°(graus). A
população AF apresentou menor mobilidade articular
que as populações SQ e CQ em todas articulações
investigadas. A população CQ apresentou menor mobilidade
que a população SQ e os valores de referência.
autora: Jucimara Firmo Barreto Costa - Dissertação
de Mestrado - São Paulo/SP
AVALIAÇãO DO COMPROMETIMENTO NEUROLÓGICO E
DA INCIDÊNCIA DA SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO
EM PACIENTES PORTADORES DE DIABETES MELLITUS TIPO 2
Objetivos: Avaliar a extensão do comprometimento
neurológico nos nervos ulnar e mediano e verificar se existem
diferenças entre a população feminina e a masculina;
determinar a incidência da síndrome do túnel
do carpo em pacientes diabéticos tipo 2, bem como o limiar
da percepção vibratória nos nervos ulnar e
mediano, na população controle. Métodos: Foram
avaliados 94 pacientes diabéticos tipo 2, sendo 67 do sexo
feminino, cuja idade variou de 43 a 72 anos, e 27 do sexo masculino,
com idade variando de 32 a 75 anos. As mãos avaliadas foram
classificadas em dominante e não dominante. O tempo médio
de duração da doença na população
feminina foi de 11,7 anos e na população masculina,
de 12,2 anos. Os pacientes foram submetidos a um protocolo contendo:
anamnese, levantamento das queixas, teste de glicemia, exame clínico
pela palpação e percussão dos nervos ulnar
e mediano, teste de Phalen e Allen, estudo de condução
nervosa, avaliação da sensibilidade vibratória
(diapasão e bioestesiômetro), sensibilidade tátil
(discriminação de dois pontos estáticos e monofilamentos
de Semmes-Weinstein), teste de força muscular manual (sistema
de graduação de 0 a 5) e de preensão palmar
(dinamômetro de Jamar®). A população controle
foi submetida a: anamnese, avaliação da sensibilidade
vibratória (bioestesiômetro), avaliação
da sensibilidade tátil (discriminação de dois
pontos estáticos). Resultados: O estudo de condução
nervosa detectou alteração em 93,62% dos pacientes;
o bioestesiômetro, em 76,60%; o dinamômetro de Jamar®,
em 59,57%; o discriminador de dois pontos, em 50%; o teste de Phalen,
em 35,11%; os monofilamentos de Semmes-Weinstein, em 11,70%; o diapasão
(256 cps), em 4,25% e a força muscular manual, em 4,25%,
o teste de Allen, em 2,13%. Na população controle,
o limiar da percepção vibratória no nervo mediano
foi de 5,0 volts e na região ulnar, de 6,5 volts. Conclusões:
Na população diabética, foi observada alteração
no nervo mediano em 15,96% pacientes, no nervo ulnar em 2,12% pacientes,
Verificou-se, também, alteração combinada nos
nervos mediano e ulnar, em 79,79% pacientes. Não apresentaram
alteração nos nervos estudados, 2,12% pacientes. A
sintomatologia foi significativa na população feminina.
A incidência da síndrome do túnel do carpo ocorreu
em 6,38% pacientes, todos do sexo feminino. A neuropatia foi mais
freqüente na população masculina, tanto do lado
dominante como do lado não dominante.
autora: Lúcia Helena Soares Camargo
Marciano - Dissertação de Mestrado - São Paulo/SP
AVALIAÇãO PÓS-OPERATÓRIA NA REPARAÇãO
DAS LESÕES NERVOSAS TRAUMÁTICAS ASSOCIADAS, OU NãO,
A TENDÕES FLEXORES E/OU ARTÉRIAS NA ZONA V DE VERDAN
Objetivo: Avaliar a recuperação
funcional, sensitiva e profissional das lesões complexas
de punho em zona V de Verdan. Material e métodos: Em um estudo
retrospectivo de 47 pacientes, com mais de 20 meses de pós-operatório,
média de idade 32 anos (operados no Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Marília). Foram avaliadas: a
sensibilidade com monofilamentos de Semmes-Weinstein e Disk-Criminator,
o retorno arterial com teste de Allen, a força manual com
os dinamômetro de Jamar e de pinça (Pinch-Gauge), os
movimentos ativos do punho com goniômetro universal, a destreza
manual com teste funcional de Minnesota, e o retorno profissional.
As associações entre as variáveis foram pesquisadas
pelo método c2 (qui-quadrado), teste exato de Fisher e teste
t de Student. Resultados: O mecanismo mais comum de lesão
foi por estilhaços de vidro, não se caracterizando
como acidente de trabalho. Observamos melhor recuperação
no nervo ulnar e na artéria radial. A força de preensão
manual obteve perda de 24,0% e, nas pinças: 18,7% na de chave,
28,5% na polpa a polpa e 25,2% na trípode. Ocorreu perda
de 17,5% para a extensão e 10,9% para a flexão ativa
do punho em comparação com a contra-lateral. A maioria
dos pacientes teve resultados classificados como "Extremamente
Lentos" no teste de destreza manual. Conclusões: Constituem
lesões graves, com prevalência do sexo masculino e
a mão mais afetada foi a dominante. Houve redução
funcional em todos os itens avaliados, porém lesar a mão
dominante pode não significar incapacitação
profissional, pois a maioria dos pacientes retornou ao trabalho
na mesma função que exercia anteriormente ao acidente.
autora: Alaine Aparecida Benetti de Grande
- Dissertação de Mestrado - São Paulo/SP
PROTOCOLO DE AVALIAÇãO DOS RESULTADOS DE REIMPLANTES
DO MEMBRO SUPERIOR
A recuperação funcional do membro reimplantado sempre
ganhou atenção especial dos profissionais responsáveis
pelo tratamento cirúrgico e pela reabilitação
no IOT-HC-FMUSP. Para tanto, elaborou-se um protocolo de avaliação
dos resultados, que pode ser aplicado a qualquer indivíduo
que se submeteu a esse procedimento, independentemente do tempo
de isquemia, nível, tipo e mecanismo da lesão. O protocolo
é dividido em partes. Na primeira os dados pessoais são
enfocados. Na segunda, itens referentes ao trauma e a cirurgia.
Na terceira, a dor, a amplitude de movimento, a sensibilidade, a
força de preensão e de pinça e a função
da mão são avaliados segundo as normas, orientações
e sugestões da American Society of Hand Therapists - ASHT.
Na Quarta parte, o indivíduo avalia a cirurgia e a reabilitação
dando uma nota de 0 (zero) a 10 (dez). Com base em procedimentos
descritos na literatura, é possível sistematizar um
protocolo de avaliação doa resultados de reimplantes
nos serviço Nacionais de Reabilitação.
autora: Beatriz Gonçalves Matiúzo
Monari - Dissertação de Mestrado - São Paulo/SP
PROGRAMA DE REABILITAÇãO PRECOCE DO COTOVELO EM 18
PACIENTES COM SEQUELAS DE FRATURAS SUBMETIDOS À LIBERAÇãO
CIRÚRGICA
Desenvolvemos um Programa de Reabilitação Precoce
do Cotovelo, para ser aplicado após a liberação
cirúrgica das partes moles em 18 pacientes portadores de
seqüela de fratura e que apresentaram limitação
do arco de movimento. Treze pacientes eram do sexo masculino e cinco
feminino, com idade média de 28 anos, e tempo médio
de acompanhamento de 24 meses. Os pacientes iniciaram a reabilitação
no primeiro dia de pós-operatório, através
da mobilização ativa com o objetivo de ganhar amplitude
de movimento, o controle do edema e da dor. Após duas semanas
iniciamos alguns cuidados com a cicatriz e cirurgia. Os pacientes
foram atendidos duas a três vezes por semana. Inicialmente
observamos a diminuição do edema e consequentemente
da dor, o que facilitou movimentação ativa permitindo
um ganho considerável do arco de movimento. Observamos, também,
que houve um aumento do arco de movimento do ombro e punho, e do
desempenho funcional do cotovelo além do aumento da força
muscular, quando comparados os períodos pré e pós-operatório.
autora: Jeanine Maria Linzmeyer - Dissertação
de Mestrado - São Paulo/SP
DESENVOLVIMENTO REABILITAÇãO DE PACIENTE PORTADOR
DA DOENÇA DE KIENBÖCK SUBMETIDOS A RESSECÇãO
DA FILEIRA PROXIMAL DO CARPO
Foram tratados 10 pacientes com doença de Kiemb�k,
submetidos a cirurgia de ressecção da fileira proximal
do carpo, por um protocolo de tratamento desenvolvido pelo Serviço
de Terapia da mão do Setor de Terapia Ocupacional da Disciplina
de Fisiatria, do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade
Federal de São Paulo, que consiste da aplicação
terapêutica de termoterapia, massagem, cinesioterapia, eletroterapia,
atividades terapêuticas e orientação domiciliar.
Os pacientes foram avaliados no pré-operatório e pós-tratamento,
considerando-se a dor, perímetro do punho, força muscular,
amplitude articular do antebraço e punho e capacidade funcional.
Avaliamos também alguns referenciais subjetivos, no que se
refere a satisfação do paciente quanto ao tratamento.
Estes mesmos parâmetros foram utilizados para avaliar-se um
segundo grupo de 6 pacientes, com a mesma características
clínicas, porém tratados em outros serviços.
Os resultados mostraram que o protocolo de tratamento aplicado foi
eficaz na redução da dor. Na melhora da força
muscular, no aumento do arco de movimento de pronação
e supinação, no aumento do arco de movimento de abdução
e adução e favoreceu também a melhora quanto
a capacidade funcional da mão dominante e afetada. O resultado
da avaliação subjetiva, mostraram que 90% dos pacientes
submetidos ao protocolo, estavam satisfeitos com a sua recuperação.
autora: Simone Maria Puresa Fonseca Lima -
Dissertação de Mestrado - São Paulo/SP
PROTOCOLO PARA REABILITAÇãO DE PACIENTES EM TRATAMENTO
DE FRATURAS DA EXTREMIDADE DISTAL DO RÁDIO COM FIXADOR EXTERNO
A autora realizou um estudo prospectivo da reabilitação
das fraturas da extremidade distal do rádio, redutíveis
e instáveis, tratadas com fixador externo. Foram acompanhados
40 pacientes com média de idade de 4 anos, tratados por fixação
externa, pelo período de 12 meses. Os resultados foram avaliados
pelo método de avaliação funcional de McBRIDE
(1948), proposto por GARTLAND & WERLEY (1951). Os resultados
avaliados aos 3 meses foram satisfatórios em 80%; aos 6 meses
foram satisfatórios em 90%; e aos 12 meses encontramos 95%
de resultados satisfatório em relação à
mobilidade articular do punho lesado quando comparado com o lado
do punho normal, não fraturado. Após 12 meses, a média
da força de punho lesado chegou a 74,19% da média
da força do punho corrigido. A Distrofia Simpático
Reflexa não influenciou nos resultados finais.
autora: Jacqueline Gonzaga Ferreira - Dissertação
de Mestrado - São Paulo/SP
DESENVOLVIMENTO DE UM APARELHO DE MOVIMENTAÇãO PASSIVA
CONTÍNUA, PORTÁTIL PARA MãO
A técnica de reabilitação denominada Movimentação
Passiva Contínua (MPC) é um excelente recurso para
a diminuição da dor, prevenção de aderências
e redução de edemas, das articulações
ou outros segmentos e tecidos esqueléticos, durante o processo
de cicatrização de traumatismos ou operações
cirúrgicas; apresenta grande potencial de emprego na reabilitação
do pós-operatório da Cirurgia da Mão. O objetivo
desse trabalho foi desenvolver um aparelho de MPC portátil,
para uso em patologias e traumatismos da mão, baseado em
modelos existentes em outros países, mas utilizando tecnologia
nacional e de baixo custo. O aparelho foi desenvolvido em etapas,
conforme os sistemas idealizados, que são: 1) sistema de
movimentação, que consta do motor, caixa de engrenagens
e haste de movimentação; 2) sistema de fixação
ao antebraço, constante de órteses para a mão
direita e esquerda; 3) sistema de fixação aos dedos,
constante de uma haste curva e de peças de fixação
distal à polpa digital; 4) sistema de alimentação
e controle, constante de uma bateria recarregável e de comandos
liga/desliga e de velocidade. O aparelho foi desenhado de modo a
realizar a flexão e extensão em bloco dos dedos, ou
a flexão e extensão em separado das articulações
metacarpofalângicas ou das articulações interfalângicas
proximais e distais. Uma vez desenvolvido, o protótipo foi
testado em 30 mãos normais de adultos, tendo sido observado
que ele é capaz de realizar a extensão completa das
três articulações envolvidas, mas apresenta
uma limitação dos últimos graus da flexão,
qualquer que sejam os ajustes realizados. O aparelho foi também
testado num paciente de reconstrução em dois tempos
do aparelho flexor do dedo médio, a partir do 3º dia
pós-operatório, tendo sido utilizado por 8 horas diárias,
durante 10 dias, com o que observou-se ausência de dor ou
desconforto, redução do edema e cicatrização
da ferida cirúrgica sem complicações. Tanto
nas mãos normais como na mão operada, o desempenho
do aparelho foi satisfatório, não tendo ocorrido intercorrências,
mas seu peso final (1270g) foi considerado um fator negativo. Concluiu-se
que a confecção de um aparelho de Movimentação
Passiva Contínua para a mão com tecnologia nacional
é viável e que o protótipo construído
apresenta características que possibilitam o seu emprego
na reabilitação de processos patológicos e
traumáticos da mão.
autora: Valéria Meirelles Carril Elui
- Dissertação de Mestrado - Ribeirão Preto/SP
COMPARAÇãO DA FUNÇãO DE DUAS ÓRTESES
NA REABILITAÇãO DA MãO EM GARRA MÓVEL
DE HANSENIANOS
O estudo objetivou a comparação da função
de dois tipos de órteses dinâmicas (de couro e de termoplástico)
utilizadas para a correção da garra móvel em
indivíduos acometidos pela Hanseníase. Comparou-se
a medida do ângulo de movimento (extensão) das articulações
interfalângicas proximais dos dedos acometidos (goniometria),
testes de força de preensão, de pinça lateral,
ponta a ponta e três pontas com o auxílio de dinamômetros
e também foi desenvolvido o teste funcional do membro superior
ELUI, que foi previamente testado e padronizado em 42 voluntários.
A amostra de estudo foi constituída de 30 hansenianos que
apresentavam garra móvel, ulnar ou ulno-mediana em uma das
mãos, com idade entre 20 a 81 anos, de ambos os sexos, submetidos
ao uso das órteses de couro e de termoplástico. Primeiramente
foi comparado o desempenho imediato de duas órteses e posteriormente
reavaliada a capacidade funcional após seu uso por um período
de três meses. Os resultados foram analisados estatisticamente
nas duas etapas, mostrando na comparação do desempenho
imediato que as órteses melhoraram o padrão de garra
dos dedos acometidos e a órtese de termoplástico obteve
maior correção da garra (85,5%) que a órtese
de couro (53%). Após o uso das órteses por três
meses, na garra ulnar foi obtida uma melhora de 76% e para a garra
ulno-mediana foi de 37%. Constatou-se que as órteses auxiliam
tanto na correção da garra como na função
motora e na melhora da auto-estima.
autora: Valéria Meirelles Carril Elu
- Dissertação de Doutorado - Ribeirão Preto/SP
AVALIAÇãO EVOLUÇãO DA CAPACIDADE FUNCIONAL
DAS PACIENTES COM ARTRITE REUMATÓIDE, AVALIADAS PELO "STANFORD
HEALTH ASSESSMENT QUESTIONAIRE" E ESCALA EPM-ROM.
Trinta e dois pacientes com AR foram acompanhados durante o período
médio de 32 meses, tendo sido avaliados pelo menos duas vezes
pelo HAQ e REPM-ROM, para se estudar a evolução de
sua capacidade funcional. A nota média inicial do HAQ foi
de 1,14 e a nota final foi de 1,13. A nota inicial do EPM-ROM foi
de 5,8 e a nota final foi de 6,8. Identificou-se um subgupo de pacientes
que evoluiu de forma diferente. Estes pacientes, em número
de sete, foram submetidos a cirurgia músculo- -esquelética
entre as avaliações inicial e final. Sua nota média
do HAQ inicial foi de 0,84 e a final de 1,64. O grupo que não
foi submetido a cirurgia, composto por vinte e cinco pacientes,
teve nota média inicial do HAQ de 1,20 e final de 1,07. Avaliando-se
os resultados do EPM-ROM temos que a média final foi de 8,3.
A partir destes resultados pergunta-se se as cirurgias estariam
sendo bem indicadas, ou se os pacientes teriam acesso à cirurgia
quando já estivessem com a sua capacidade funcional muito
deteriorada, não usufruindo grandes benefícios a não
ser, talvez, em relação à dor. O estudo conclui
que os nossos pacientes com AR evoluíram em sua capacidade
funcional de forma similar a outros estudos da literatura, mas que
o subgrupo submetido a cirurgia teve una piora importante alertando
para estudos mais minuciosos da indicação e resultado
de procedimentos cirúrgicos para esses pacientes.
autora: Leda Magalhães de Oliveira
- Dissertação de Mestrado - São Paulo/SP
Artigo Científico
ESTUDO POPULACIONAL DAS FORÇAS DAS PINÇAS POLPA-A-POLPA,
TRÍPODE E LATERAL
Foram mensuradas as forças das pinças polpa-a-polpa,
trípode e lateral em 315 indivíduos adultos do sexo
masculino e feminino (630 mãos, com a idade variando dos
15 aos 74 anos), sem nenhuma patologia nos membros superiores ou
patologia sistêmica que afetasse a força de pinça.
Para as medições foi utilizado o dinamômetro
Preston Pinch Gauge e a padronização recomendada pela
Sociedade Americana de Terapeutas da Mão, assim como a média
da força de pinça de três medidas consecutivas,
para as mãos dominantes e não dominante de cada indivíduo.
Os dados coletados foram submetidos à análise estatística
pelo teste t de Student, à análise de variância
e ao coeficiente de correlação de Pearson. Observou-se
que as forças das três de pinças têm fraca
correlação com o índice de massa corpórea
do indivíduo, de modo que este não é um bom
índice de referência. As forças de pinça
do sexo masculino são em média 30% mais fortes que
as do sexo feminino. Em nosso estudo, a pinça lateral é
a mais forte, sendo 13% maior que a trípode e 33% maior que
a polpa-a-polpa. A pinça trípode tem a força
intermediária, sendom 23% maior que a polpa-a-polpa. A pinça
polpa-a-polpa é a mais fraca, sendo mais pinça de
precisão do que de força. Não foi encontrada
diferença significante entre as forças de pinça
no decorrer da idade bem como entre as forças polpa-a-polpa
entre a mão dominante e a não dominante. Para a nossa
população, os valores médios (e respectivos
desvios padrões) em quilogramas-força, para as forças
das três pinças encontradas no sexo masculino, foram:
pinça polpa-a-polpa = 6,7 (1,8); pinça trípode
= 8,5 (2,1) e pinça lateral = 9,9 (1,9). Para o sexo feminino
os valores médios encontrados foram: pinça polpa-a-polpa
= 4,7 (1,3); pinça trípode = 6,0 (1,5) e pinça
lateral = 6,7 (1,5). Este estudo populacional visa fornecer parâmetros
de normalidade das forças de pinça, como subsídio
para avaliações em cirurgia e terapia da mão,
bem como para trabalhos de pesquisa relacionados com esta função
manual.
autores: Marco Poli de Araújo, Pola
Maria Poli de Araújo, Fábio Augusto Caporrino, Flávio
Faloppa, Walter Manna Albertoni - Rev. Bras. Ortop - Vol.37, no
11/12 - nov/dez/2002.
ESTUDO RETROSPECTIVO DOS TRAUMATISMOS DA MÃO DO HOSPITAL
DAS CL�ICAS DE RIBEIRÃO PRETO *
RETROSPECTIVE STUDY OF HAND INJURIES TREATED IN CLINICAL HOSPITAL
OF RIBEIRAO PRETO
Autores:
1. Fonseca, MCR
2. Mazzer, N
3. Elui, VMC
4. Barbieri, CH
Instituição: Departamento de Biomecânica, Medicina
e Reabilitação do Aparelho Locomotor, Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
1. doutoranda na Área de concentração Ortopedia
e Traumatologia e Reabilitação. Departamento de Biomecânica,
Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor, Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto, USP
2. professor livre-docente do Departamento de Biomecânica,
Medicina e Reabilitação do Aparelho Locomotor, Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto, USP
3. docente do curso de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto-USP.
4. professor titular do Departamento de Biomecânica, Medicina
e Reabilitação do Aparelho Locomotor, Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto, USP
* Versão resumida da Tese de Doutorado, apresentada à
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP, com defesa
em 17/12/2002, pelo primeiro autor do trabalho
Nome para correspondência:
Marisa de Cássia Registro Fonseca
lilu@netsite.com.br
RESUMO
Um estudo retrospectivo foi realizado com pacientes que deram entrada
na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas de
Ribeirão Preto, Brasil, de janeiro até dezembro de
2000, com lesões traumáticas nas mãos. O objetivo
foi descrever a distribuição dos dados dessa população
de pacientes e propor uma campanha de prevenção de
acidentes com as mãos. O estudo foi realizado mediante investigação
feita nos prontuários médicos. Um sistema de processamento
de texto, banco de dados e estatística para epidemiologia
em microcomputadores EPI INFO 6,04D foi usado para armazenar e analisar
as informações. Os resultados revelaram que, em uma
amostra aleatória simples de 355 pacientes investigados,
a idade média foi 27,3+16,7 anos, variando entre 1 mês
até 88 anos. Estudantes (28%) e profissionais que lidam com
máquinas e ferramentas (24 %) foram as atividades mais acometidas.
A incidência de lesões isoladas foi 73,2%. Acidentes
de trânsito e lacerações com vidro e serras
foram as causas mais comuns das lesões, acarretando freqüentes
diagnósticos de fraturas (33%) e lesões tendinosas
(20,3%). As crianças do sexo masculino sofreram freqüentes
fraturas (28,6%) e as do sexo feminino sofreram freqüentes
queimaduras (28,6%). Concluiu-se que a incidência das lesões
traumáticas das mãos foi alta, com 27,6% de todos
os traumas atendidos no hospital, e deve ser continuamente investigada.
A tentativa de redução desse tipo de acidente pode
acontecer como um resultado de um programa de prevenção,
envolvendo a população, profissionais da saúde,
educadores, representantes de entidades e governo.
Descritores (português): lesões, mão, epidemiologia,
prevenção, acidentes, estudo retrospectivo
SUMMARY
A retrospective study was performed of patients which were presented
to Emergency Department of Clinics Hospital of Ribeirao Preto, Brazil,
from January to December of 2000, with hand injuries. The objective
was to describe the disposal of the data of this population of patients
and propose a campaign to prevention of hand injuries. The epidemiological
study was held by means of an investigation of the medical charts
of patients who underwent treatment in the period. A word processing
database with a statistics program for epidemiology on microcomputers
EPI INFO 6,04 D was used to store and analyze the data. The results
revealed that in a simple aleatoric sample of 355 patients investigated,
the mean age was 27,3+16,7 years, varied between 1 month to 88 years
old and 74,4% were males. Students (28%) and professions which work
with machinery and tools (24%) were the most common activities.
The right and left hand were injured almost equally. The incidence
of isolated injury was 73,2%. Traffic accidents and lacerations
with glass and saws was the most common causes of hand injuries,
causing frequent diagnosis of fractures (33%) and tendon lesions
(20,3%). The male children suffered frequent fractures (28,6%) female
children suffered frequent burns (28,6%). One may conclude that
the incidence of traumatic injury of the hand was high (27,6%),
and must be a continuing investigation. The reduction of this type
of preventable accident may occur as the result by means of preventions
programmes involving the population, health professions and government.
Key words(inglês): hand injuries, epidemiology, prevention,
accidents, retrospective study
INTRODUÇÃO
As mãos como os olhos, são importantes fontes de contato
com o meio externo e, como a face, essenciais na expressão
da individualidade 1 .As lesões traumáticas das mãos
podem acarretar seqüelas decorrentes de incapacidades motoras
e/ou sensitivas, muitas vezes permanentes, afetando tanto as atividades
do dia-a-dia, bem como as profissionais antes exercidas.
Diversos estudos tem levantado dados sobre as lesões das
mãos, a faixa etária, sexo, sua causas mais comuns,
tipos de lesão e afastamento do trabalho2,3,4,5, 6,7. A mão
é um órgão freqüentemente lesado na criança,
como alvo de agressão, primário ou secundário
quando tenta defender-se do agressor, podendo ser provocados por
inúmeros instrumentos, levando a queimaduras, eritemas, contusões
ou até fraturas8,9,10,11.
Agressões e brigas também são relatadas na
literatura como situações relacionadas aos traumas
das mãos entre adultos jovens2,12 e também por socos
em porta de vidro relacionados ao consumo de álcool13,14
ou por rojões ou fogos de artifício, levando a graves
lesões15.
Autores afirmam que informações provenientes das estatísticas
de hospitalização quanto à sua abrangência
e qualidade, são muito úteis do ponto de vista administrativo
e de avaliação de recursos financeiros16. São
necessários estudos epidemiológicos analíticos
no sentido de relacionar variáveis como por exemplo a idade
e uma atividade específica visando identificar os fatores
de risco e fatores de proteção contra as lesões
agudas da mão, sejam no trabalho ou não17,6.
Campanhas constantes de conscientização dos diversos
riscos a que as mãos estão submetidas seja no trabalho,
pelo uso indevido de máquinas e ferramentas, o não
treinamento ou desatenção, acrescida do fato da falta
de manutenção e checagem do equipamento, são
itens propostos e vistos como úteis na prevenção
de acidentes. Atividades domésticas, de lazer ou esporte,
também são alvo quando se pensa em prevenção,
seja por lesão por fogos de artifício, ferimentos
corto- contusos ou queimaduras18,26 .
A portaria MS/GM n o 739 de 16 de maio de 2001 trata sobre a política
nacional de redução da morbimortalidade por acidente
e violência. Define uma proposta integrada entre a União,
Estados e Municípios, para um problema que é considerado
de saúde pública. Destaca que entre outras fontes,
o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) que
englobam 80% da assistência hospitalar no país é
muito importante pelos dados que pode fornecer sobre os traumas.
O programa EPI INFO versão 6,04B de 1997 é programa
computacional muito usado em epidemiologia, produzido, difundido
e copiado gratuitamente pela OMS e pelos CDC (Centers for Disease
Control and Prevention) para construção e gerenciamento
do banco de dados, com versão em português. Tem a vantagem
da simplicidade, sendo suficiente na maioria das situações,
com processamento de texto, desenho de questionário, entrada
de dados e técnicas estatísticas mais simples, sendo
empregado em uma série de estudos epidemiológicos
descritivos19 .
MATERIAL E M�ODOS
O estudo realizado foi do tipo retrospectivo descritivo, visando
levantamento de dados sobre os acidentes envolvendo as mãos
e dedos, durante o ano de 2000, no Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- Universidade
de São Paulo (HCFMRP-USP).
Os materiais utilizados como fonte de coleta dos dados dos indivíduos
que tinham sofrido traumas de mão e dedos foram os prontuários,
que ficam arquivados sob a responsabilidade do Serviço de
Arquivo Médico do Hospital.O referido hospital é um
centro de referência terciário, no tratamento dos traumatizados
encaminhados da cidade de Ribeirão Preto e região,
sendo um hospital-escola da USP. Para a pesquisa nosológica
foram usadas as denominações dos traumatismos de mão
e dedos classificados segundo o Código Internacional das
Doenças CID 10. A partir do agrupamento destas palavras o
sistema informatizado de arquivo do hospital, a Central de Processamento
de Dados (CPD) produziu uma lista de 2556 prontuários, sendo
considerada a população do presente estudo.
Na busca de melhor representatividade foi calculado o valor da amostra
populacional, baseada em um intervalo de confiança de 95%,
de 355 prontuários, sendo dividido em quatro grupos amostrais
referentes a cada lista inicial, estratificada por idade e sexo,
com o objetivo de evitar que um dos quatro grupos pudesse estar
sub representado ou até ausente. Através da técnica
de amostragem aleatória simples, utilizando a tabela de números
aleatórios20,cada sub-grupo amostral conseguido foi dividido,
respectivamente em: lista 1 sexo masculino com idade maior ou igual
a 18 anos, n=196 (55,2%), lista 2 sexo masculino com idade menor
que 18 anos, n=70 (19,7%), lista 3 sexo feminino com idade maior
ou igual a 18 anos, n=66 (18,6%), e lista 3 sexo feminino com idade
menor que 18 anos, n=23 (6,5%).
Foi confeccionada uma ficha para preenchimento dos dados de cada
prontuário, com campos específicos de preenchimento
através dos códigos pré determinados, com a
discriminação das variáveis no verso.
As variáveis analisadas foram: iniciais do seu nome para
o sigilo das informações, seu número de prontuário
do Hospital para localização e identificação
nos arquivos e data de nascimento, idade, sexo, dominância,
e a ocupação principal, baseada no Manual de Orientações
do Imposto de Renda de Pessoa Física da Secretaria da Receita
Federal do Ministério da Fazenda - ano 200019 . As variáveis
relacionadas ao acidente ou agravo, que contribuem para a descrição
do evento foram agrupadas, constando de determinação
do lado lesado, se direito, esquerdo ou se ocorreu bilateralmente;
presença ou não de lesões associadas; o agente
causal ou causa do trauma e o diagnóstico médico.
Após o preenchimento dos campos da ficha, os dados foram
inseridos em um questionário criado através do uso
do programa EPI INFO versão 6,04D, no modo EPED, para posterior
análise no módulo ANALYSIS.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Segundo dados estatísticos da Central de Processamento de
Dados do HCFMRP-USP, dos 47.120 casos atendidos no P.S (Pronto Socorro)
da U.E. em 2000, 19,6 % (9.249) foram traumas em geral. Desses traumas,
65% (6.015) estão ligados a atendimentos realizados pela
clínica de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP. O total de
casos de traumas da mão e dedos (2.556), foram equivalentes
a 27,6 % de todos os traumas.Do total de casos ligados à
Ortopedia e Traumatologia, a mão e dedos corresponderam a
42,5 %.Do total de casos atendidos em 2000, 5,4% foram traumas de
mão.
Neste estudo a distribuição das freqüências
das idades no momento do trauma apresentou grande amplitude, variando
de 1 mês até 88 anos de idade. A idade média
foi 27,3+16,7 anos, o erro padrão da média 0,88, a
mediana 24 anos e a moda 19 anos de idade.
Comparando os dados obtidos nesta amostra com a literatura, foi
observado o predomínio de uma incidência maior em adultos
jovens, concordantes com outros estudos, com pequenas variações.
CLARK e colaboradores21.(1985), encontraram acometimento na faixa
etária entre 12 e 29 anos. BATISTA & FILGUEIRA5(1997),
encontraram indivíduos com idade entre 20 e 40 anos, acima
do encontrado no presente estudo, possivelmente devido a amostra
escolhida para análise. SMITH e associados11.(1985) detectaram
idade média de 25 anos, com variação de 11
a 80 anos. A idade média mais próxima foi a do trabalho
de HILL e colaboradores9(1998), com 27,2 anos, além da moda
de 21 a 25 anos, e variação de 1 a 93 anos de idade.
Na amostra estudada houve um acentuado predomínio do sexo
masculino, 74,4%. Os dados deste trabalho apresentaram resultados
similares a outros,11,21,2,5,2,2. Os valores encontrados vão
de encontro não só a experiência clínica,
onde é sabido que o homem, estando mais sujeito a situações
de risco no trabalho, no trânsito e também em situações
de violência urbana é mais propenso a sofrer acidentes
na mão19.
Com relação à ocupação principal,
a amostra dos casos atendidos com traumas da mão e dedos
apresentou uma freqüência maior entre os classificados
como menores e estudantes, com 28%; seguido pelas profissões
de nível técnico que lidam com ferramentas como marceneiros,
carpinteiros, mecânicos, pedreiros, com 24%; seguido por outras
ocupações. Os indivíduos auto-identificados
como ligados ao comércio e serviços gerais e as mulheres
classificadas como do lar tiveram distribuição similar
14% e 12% respectivamente. Já ocupações ligadas
a atividades como profissionais liberais, funcionários públicos
e profissionais das letras e artes tiveram baixa freqüência
de lesões da mão .
Dos casos analisados neste estudo, a mão mais freqüentemente
lesada foi a direita, com 49,9%; com pequena diferença com
relação a mão esquerda, com 41,3%. Uma pequena
porcentagem sofreu lesão bilateral, 8,2%, geralmente associada
a queimaduras. Apenas dois casos não continham esta informação
no prontuário. SMITH e col11 (1985) encontraram 54% de lesões
na mão direita, 44% na esquerda e 2% bilateral, em um hospital
do Reino Unido, corroborando os achados deste estudo.THOMAS e col8.(1998)
encontraram, em um estudo entre crianças na �dia,
61,3% dos casos de lesões na mão direita. Este fato
talvez esteja relacionado ao fato da maioria das pessoas na população
em geral serem destras ou manidestras, e os acidentes geralmente
ocorrem quando o indivíduo usa a mão dominante numa
situação de risco. �um item importante
a ser levantado, justamente pela relação que pode
ser estabelecida entre a dominância e a mão lesada
no trauma e suas conseqüências em termos de seqüelas
funcionais permanentes, levando muitas vezes o indivíduo
a ter que alternar a dominância ou até ficar incapaz
para algumas atividades bimanuais no trabalho. Poucos estudos descrevem
a dominância do indivíduo que sofreu uma lesão
traumática na mão. Apesar disso é um item importante
no sentido da sua relação com a mão lesada.
Casos de lesões intencionais tem maior chance de ocorrer
com a mão dominante4. A inclusão do item dominância
nas fichas do atendimento inicial dos acidentados da mão
e dedos poderia ser útil para estudos da relação
da dominância e mão lesada com o tipo de trauma e atividade
realizada.
De todos os casos estudados, 73,2% do total (260), o trauma nas
mãos e dedos não veio associado a nenhum tipo de lesão
em outras partes do corpo. Os politraumatizados ficaram em segundo
lugar, com 52 casos, 14,6% . Estes casos estavam associados a traumas
mais graves como queimaduras e acidentes de trânsito, com
lesões extensas e múltiplas.
Os agentes causadores dos traumas nas mãos, mais freqüentes
foram os acidentes de trânsito, com 17,5%, seguidos pelos
ferimentos por vidro ou latas e por máquinas e ferramentas,
com porcentagens similares, 14,2 e 14%, respectivamente (tabela
1).Casos como explosões e arrancamento de dedos com postes
de eletricidade tipo torrinha tiveram baixa incidência neste
estudo. São em geral menos freqüentes de ocorrer, mas
são os que mais podem deixar sequelas, com relação
a perda funcional e estética, pois em geral levam a amputações
mutilantes. As picadas de escorpião apareceram com freqüência
duas vezes maior que as mordeduras animais, respectivamente 4,5%
e 2,1%.
As causas do trauma por socos em portas de vidro estão em
geral em adultos, associadas ao consumo de álcool23, 2, 14,
e às agressões 12,2 . Já em crianças
estão associados às atividades domésticas13,9
.
Houve uma porcentagem maior de casos de lesões com fogo e
líquidos ferventes, em crianças do sexo feminino,
com 27,3%, comparadas com o sexo masculino, 10,2%. Já em
crianças do sexo masculino as maiores porcentagens estão
igualmente distribuídas com ferimentos por vidro e latas,
traumas diretos, quedas e picadas de escorpião, com 13,6%
cada. Os traumas com crianças estão na maioria relacionados
às situações ligadas aos acidentes domésticos,
no esporte ou lazer11,8,10,9 . O presente apresentou apenas um caso
de amputação por moedor de carne ocorrido em uma criança.
No grupo de pacientes do sexo feminino com idade maior ou igual
a 18 anos, foi observado que a maior incidência de lesões
foi do tipo ferimento por vidro ou lata com 31,7%. Talvez se deva
ao fato da mulher apresentar maior risco de lesões domésticas,
com portas e copos de vidro, ou ao abrir e manusear latas na cozinha.
No grupo de homens adultos, com idade maior ou igual a 18 anos,
os acidentes de trânsito e o uso de máquinas e ferramentas
foram as causas mais freqüentes, com 20,7% e 16,3 % respectivamente.
Denota-se claramente a relação causal com atividades
de trabalho.
Com relação ao diagnóstico, na amostra como
um todo, as fraturas foram as mais freqüentes, com 117 casos
(33%), seguida das lesões dos tendões flexores e nervos,
com 72 casos e correspondendo a 20,3% do total (tabela 2). �possível
constatar também neste estudo, como na prática clínica,
que as lesões dos tendões flexores devem ser analisadas
separadamente dos tendões extensores, visto sua incidência
ter sido bem maior.
Existiu uma relação direta da causa do trauma entre
meninas menores de 18 anos, ser lesão por água ou
óleo fervente ou por chama direta e o diagnóstico
de lesão de pele tipo queimadura. Os casos mais freqüentes
de diagnósticos entre meninos menores de 18 anos estavam
nas fraturas (28,6 %), também diretamente relacionado às
causas mais comuns nesta faixa etária de traumas diretos
e quedas. Os casos de maior freqüência de diagnóstico
entre os indivíduos do sexo feminino com idade maior ou igual
a 18 anos, 45,5% estão diretamente relacionados com o mesmo
grupo de sexo e faixa etária onde a causa do trauma foi ferimento
por vidros ou latas, pois a lesão conseqüente de ferimentos
por vidros ou latas, será preferencialmente de tendões
e nervos, se for um tipo de ferimento profundo.
�rotina médica dos Serviços de
Ortopedia e Traumatologia e Cirurgia Plástica do HCFMRP-USP,
após estabelecimento do tratamento médico, quando
indicado, o encaminhamento para que o paciente inicie a reabilitação,
o mais precoce possível, seja durante a internação
ou mesmo após a alta hospitalar. Neste estudo, houve a realização
da reabilitação em 53,2% dos casos.
Este estudo descritivo serviu de base para a aquisição
de dados relativos aos traumas da mão e dedos durante um
ano. Apesar de ser apenas uma amostra, foi representativa no sentido
de se levantar de maneira inicial o perfil do acidentado da mão
que procurou o HCFMRP-USP no ano de 2000.
O modelo de banco de dados informatizado baseado no programa EPI
INFO 6,04D mostrou ser eficaz na armazenagem e análise dos
dados. Outros estudos a partir deste podem complementar os dados
referentes a outros anos na mesma Instituição para
comparação ou até coletar estes dados em arquivos
de outros hospitais secundários e unidades primárias
de atendimento de traumatizados, visando novas análises e
comparações.
Estudos analíticos posteriores poderão ser úteis
no futuro, no sentido de tentar correlacionar informações
mais específicas como os acidentes de trânsito relacionados
às fraturas, o uso de ferramentas às lesões
de partes moles ou até sobre as diferentes faixas etárias
ou ainda a relação da mão lesada com a dominância
e o local do trauma, entre outros.
Com base nos dados levantados neste estudo e com o objetivo de orientar
futuramente a população sobre a importância
da prevenção de acidentes que podem gerar lesões
nas mãos, foi elaborado material informativo sobre prevenção
de acidentes.
Foram elaborados 2 cartazes com dois conjuntos distintos de imagens
em destaque, no primeiro figuram mãos de adultos (Figura
1 ) e no segundo mãos de crianças (figura 2). Apesar
do slogan e textos serem idênticos, as imagens diferenciadas
buscaram enfatizar o público a que está dirigido.
Os Cartazes trazem a frase: O PERIGO ESTÁ AO ALCANCE DE TODOS.
Abaixo desta frase estão as imagens com mãos de adultos
em situações de risco. Na parte inferior desta imagem,
outra frase: A PREVENÇÃO ESTÁ AO ALCANCE DAS
MÃOS, e abaixo desta, uma faixa com imagens de mãos
saudáveis executando diferentes funções. No
folder foram desenvolvidos textos explicativos que juntamente às
imagens fotográficas buscam principalmente informar sobre
a importância da prevenção.
Através da apresentação dos dados levantados
no presente trabalho e em estudos complementares, será possível
iniciar uma Campanha de Prevenção de Acidentes com
as Mãos, através de um programa integrado com escolas
e entidades de classe. A idéia é a orientação
adoção de medidas simples que no cotidiano, quer nos
espaços de trabalho, de lazer, de habitação
ou de circulação de pessoas, possam evitar os acidentes
com conseqüentes lesões nas mãos, através
do material de divulgação.
CONCLUSÕES
1. Os traumas da mão e dedos foram responsáveis por
27,6% de todos os traumas atendidos no HCFMRP-USP, durante o ano
de 2000.
2. As principais causas dos traumas da mão e dedos foram
os acidentes de trânsito, ferimentos por vidro e latas.
3. Houve predomínio nas fraturas e lesões dos tendões
flexores e nervos.
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